As Velas Ardem Até ao Fim - Sándor Márai - Dom Quixote


Um pequeno castelo de caça na Hungria, onde outrora se celebravam elegantes saraus e cujos salões decorados ao estilo francês se enchiam da música de Chopin, mudou radicalmente de aspecto. O esplendor de então já não existe, tudo anuncia o final de uma época. Dois homens, amigos inseparáveis na juventude, sentam-se a jantar depois de quarenta anos sem se verem. Um, passou muito tempo no Extremo Oriente, o outro, ao contrário, permaneceu na sua propriedade. Mas ambos viveram à espera deste momento, pois entre eles interpõe-se um segredo de uma força singular...

After Dark, Os Passageiros da Noite - Haruki Murakami - Casa das Letras


Por uma noite, Murakami leva-nos com ele através de uma Tóquio sombria, onírica, hipnótica. Um deslumbrante romance perpassado de uma singular atmosfera poética, na fronteira entre a realidade e o universo fantasmático, onde cada pormenor, olhado retrospectivamente, faz sentido.
Num bar, Mari encontra-se mergulhada num livro, enquanto bebe o seu chá e fuma cigarro atrás de cigarro. Às tantas, entra em cena um músico que a reconhece. Ao mesmo tempo, encerrada num quarto, Eri, a irmã de Mari, dorme com os punhos cerrados, sem saber que está a ser observada por alguém.
Em torno das duas irmãs desfilam personagens insólitas: uma prostituta chinesa vítima de agressão, a gerente de um hotel do amor, um técnico informático, uma empregada de limpeza em fuga. Sucedem-se acontecimentos bizarros: um aparelho de televisão que, de um momento para o outro, começa bruscamente a funcionar, um espelho que conserva os reflexos.
Em Tóquio, durante as horas de uma noite, vai desenrolar-se um estranho drama...

A Vida Eterna - Fernando Savater - Dom Quixote


Em pleno século XXI, época tecnológica e presumivelmente materialista, as crenças religiosas voltam a estar no centro do debate ideológico e político. Despertam paixões, comovem multidões, endeusam certos líderes e provocam atentados terroristas. Os partidários da ciência pura e dura escandalizam-se; outros, em contrapartida, consideram que é indispensável uma qualquer espécie de fé sobrenatural para se poder suportar a vida e, acima de tudo, a certeza da morte.
Este livro trata da religião ou, antes, das religiões: em que consiste acreditar, em que acreditamos ou não acreditamos e que vínculo conservam estas crenças com a mais importante e central de todas - o anseio pela imortalidade. Contudo, fala-se também da verdade, da diferença entre credulidade e fé, das vias não dogmáticas do espírito, das implicações políticas próprias das ortodoxias fanáticas, do papel da formação religiosa na educação das democracias laicas, etc.
E também - talvez mais do que tudo - de como é possível viver a fazer frente ao inevitável, sem concessões ao pânico nem excessos de esperança.

O Desertor - Daniel Silva - Bertrand Editora


Seis meses após o dramático final de Regras de Moscovo, Gabriel Allon regressa à lua-de-mel com Chiara e ao restauro de uma peça setecentista do Vaticano. Mas a sua paz é efémera.
De Londres chega a notícia de que Grigori Bulganov, espião e desertor russo que lhe salvou a vida em Moscovo, desapareceu sem deixar rasto. Nos dias que se seguem, Gabriel e a sua equipa travarão um duelo mortal com Ivan Kharkov, um dos homens mais perigosos do mundo. Confrontado com a possibilidade de perder a coisa mais importante da sua vida, Gabriel será posto à prova de maneiras inconcebíveis até então. E nunca mais será o mesmo.
Com um enredo surpreendente e um conjunto de personagens inesquecíveis, O Desertor é o thriller mais explosivo do ano e o melhor livro de Daniel Silva até à data.

Viagem a Portugal - José Saramago - Editorial Caminho

citação:
"«De Nordeste a Noroeste, caminhos que vão dar às ""Meninas de Castro Laboreiro"", à ""História do soldado José Jorge"" ou ao Monte Evereste de Lanhoso. Depois, as ""Terras baixas, vizinhas do mar"". Encontramos nelas ""Um Castelo para Hamlet"", e descobre-se que nem todas as ruínas são romanas. Viaja-se ainda pelas ""brandas beiras de pedra"", com as ""novas tentações do demónio"" e ""o fantasma de José Júnior"". Um convite, entretanto, a parar em todo o lado, entre Mondego e Sado, para observar ""artes da água e do fogo"" ou as chaminés e laranjais. E um passeio pela ""grande e ardente terra de Alentejo"". Aí, ""a noite em que o mundo começou""; aí, ""uma flor da rosa""; aí, onde ""é proíbido destruir os ninhos"". E mais o sol, o pão seco e o pão mole do Algarve, com ""o português tal qual se fala"". ""Pelos caminhos de Portugal / Eu vi tantas coisas lindas vi o mundo sem igual"", canta o cancioneiro popular, e assim faz Saramago, com a diferença essencial que a qualidade da sua escrita está bastantes furos acima. Uma viagem, se não pelo Portugal profundo, pelo menos por uma forma profunda de ver Portugal.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)"

Beloved - Toni Morrison - Dom Quixote

sinopse:

Publicado em 1987 e vencedor do Prémio Pulitzer de 1988, a obra-prima de Toni Morrison decorre num Ohio pós-Guerra da Secessão, um local que ofereceu a Morrison «uma fuga aos ambientes negros estereotipados... nem ghetto nem plantação de escravos».

Beloved é a história de uma antiga família de escravos: Sixo, que «deixou de falar inglês porque não via nisso qualquer futuro»; Baby Suggs, que faz do coração o seu modo de vida porque «rebentou com as pernas, costas, cabeça, olhos, mãos, rins, ventre e língua»; Halle, o filho mais novo de Baby, que se deixa alugar para comprar a liberdade da mãe; Sethe, a mulher de Halle; e a filha de ambos, Denver. O romance centra-se em Sethe e no legado que o tempo de escravatura lhe deixou - o fantasma da sua primeira filha, Beloved -, pelo qual é, literalmente, assombrada.

Numa engenhosa combinação de alegoria, fantasia, lenda oral, mito e prosa de tonalidade poética, Beloved é um poderoso romance de redenção que cria vida a partir da morte, instinto maternal a partir da crueldade e a história que fora esquecida a partir do silêncio.

A Terceira Condição - Amos Oz - Edições Asa

sinopse:

Fima é um sonhador totalmente incapaz de agir sobre a sua própria vida. Este homem de meia-idade sofre por sentir que decepcionou o seu pai ao acomodar-se a um emprego como recepcionista de uma clínica ginecológica, e a sua ex-mulher, a quem permitiu abandonar o casamento sem opor qualquer resistência. Fima também se decepciona a si próprio diariamente. Fascinado pela carismática Annette, nada faz para se aproximar dela e mantém uma amizade estéril com Nina, para quem cada acto sexual dá azo a uma obsessiva espiral de limpeza pessoal e doméstica. Ele não consegue sequer matar uma barata sem que se sinta sufocar em reflexões sobre o povo judeu. Fima acabará, contudo, por ter o seu momento de redenção durante um passeio pelas ruas de Jerusalém, quando se pacifica por fim com o seu estatuto de judeu errante.

Caim - José Saramago - Editorial Caminho

sinopse:

Quem diabo é este Deus que, para enaltecer Abel, despreza Caim?

Se em O Evangelho Segundo Cristo José Saramago nos deu a sua visão do Novo Testamento, emCaim regressa aos primeiros livros da Bíblia. Num itinerário heterodoxo, percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha pela mão dos principais protagonistas do Antigo Testamento, imprimindo ao texto o humor refinado que caracteriza a sua obra.

Caim revela o que há de moderno e surpreendente na prosa de Saramago: a capacidade de fazer nova uma história que se conhece do princípio ao fim. Um relato irónico e mordaz no qual o leitor assiste a uma guerra secular, e de certa forma, involuntária, entre o criador e a sua criatura.

Poesia Completa 1979-1974 - Luís Miguel Nava - Dom Quixote




Por iniciativa da Fundação Luís Miguel Nava foi publicada pela editora Dom Quixote, em 2002, a Poesia Completa de Luís Miguel Nava, contendo alguns poemas inéditos, além de um prefácio de Fernando Pinto do Amaral e um posfácio de Gastão Cruz, que também se encarregou do organização do volume.

7 Vozes - Elizabeth Ceita Vera Cruz, Clenir Louceiro, E. Ferreira - Lidel

sinopse:
A língua é um elemento vivo que contém as cores e os sentimentos, individuais e colectivos, de quem fala e dos seus valores, costumes e crenças bem como da sua situação geográfica, social e histórica. Podemos constatar que não há realidades nacionais idênticas, e sim semelhantes; portanto, não devemos e não podemos impor a uma nação que ela se revele a outra - que comunga da mesma língua - de forma superior ou distanciada. O ideal e o que tem de ser feito é congregar essa multiplicidade como fonte de Riqueza e Unidade.

A língua portuguesa, levada pelas gentes das Descobertas e Expansão Marítima para as distantes terras da África, Ásia, Américas e Oceânia, acabou sendo utilizada e, em determinados contextos, adoptada por uma significativa parcela das populações. Claro está que um idioma, quando introduzido numa realidade diversa, passa por muitas transformações inerentes ao próprio intercâmbio entre as várias culturas envolvidas.

Actualmente, tornam-se ainda mais evidentes as mudanças, mercê de um maior diálogo entre os Sete: Portugal, Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe. Podemos constatar inúmeros vocábulos que, outrora estranhos, se foram introduzindo nas nossa fala, enriquecendo-a. O livro «7 Vozes» é uma primeira aproximação às diferenças do português coloquial, tal como se usa nos meios urbanos, dos sete países que o utilizam como língua mãe ou veicular - apresenta-se como o princípio possível e efectivo de um intercâmbio vasto, pleno de conteúdo e vigor, dentro de espaços geográficos com realidades diversas. Assim, o objectivo deste trabalho é dar a conhecer as metamorfoses da língua portuguesa, que fluem ao sabor dos ventos e das histórias, e dar a conhecer a riqueza vocabular, expressão das culturas dos Sete, bem como alargar o número de falantes. Para todos nós, é o horizonte de uma ampla geografia: um património a proteger e fortalecer.

Uma Gata, um Homem e Duas Mulheres - Junichiro Tanizaki - Editorial Caminho

sinopse:
O leitor tem nas suas mãos um conjunto de pequenas obras-primas de um dos maiores escritores japoneses do século XX. Este volume inclui uma novela, que dá título ao livro, e dois textos mais curtos, que são bom exemplo da entusiasmante escrita do seu autor e do seu realismo cómico. As três histórias são variações de um tema favorito de Tanizaki: a dominação e a submissão nas relações privadas. O "homem" da novela é um herói típico do autor - um tipo estragado, auto-complacente e obstinadamente inútil - apanhado numa guerra entre a sua vingativa ex-mulher e a sua obstinada jovem sucessora, ambas rivais da gata do título: Lily - sedutora, elegante e magnificentemente controladora -, uma gata. A luta entre estas três fêmeas pela posse deste homem fraco dá origem a uma série de divertidos confrontos. O Pequeno Reino descreve a relação curiosamente inconstante entre um professor autoritário e um pequeno mas indomável aluno determinado a impor as suas próprias regras. Finalmente, O Professor Rado é um malicioso retrato de um académico auto-convencido, visto na perspectiva de um jornalista ansioso por "apanhar uma história". Numa série de entrevistas, o professor responde às perguntas apenas com grunhidos, mas, por acaso, o jornalista acaba por descobrir um escandaloso lado oculto desse senhor eminentemente respeitável. Este conjunto representa, sem dúvida, Tanizaki no seu melhor.

Photomaton & Vox - Herberto Helder - Assírio & Alvim

sinopse:

Nas bancas, sob o profundo vermelho da capa, a poesia e a prosa, inevitavelmente poética, são de Herberto Helder. Editado pela primeira vez em 1979 e esgotado quase de seguida, este livro tem vindo a receber diversas emendas, sendo esta agora considerada pelo autor como a versão definitiva. São textos biográficos, como o próprio título deixa perceber, poeticamente transfigurados por uma das mais seguras e fulgurantes escritas que o nosso século tem reconhecido e vem admirando. Nesta 4.ª edição a parte exterior das folhas é pintada com uma cor igual à da capa, a exemplo que acontece na colecção Beltenebros.

Nação Crioula - José Eduardo Agualusa - Dom Quixote

sinopse:

Nação Crioula conta a história de um amor secreto: a misteriosa ligação entre o aventureiro português Carlos Fradique Mendes - cuja correspondência Eça de Queiroz recolheu - e Ana Olímpia Vaz de Caminha, que, tenha nascido escrava, foi uma das pessoas mais ricas e poderosas de Angola. Nos finais do século XIX, em Luanda, Lisboa, Paris e Rio de Janeiro, misturam-se personalidades históricas do movimento abolicionista, escravos e escravocratas, lutadores de capoeira, pistoleiros a soldo, demiurgos, numa luta mortal por um mundo novo.

O Ponto - Peter H. Reynolds - Bruaá Editora

sinopse:
Uma verdadeira lição de psicologia infantil num magnífico livro para todas as idades.

prémios:
The Christopher Award
Oppenheim Toy Portfolio Platinum Award Winner
Irma S. and James H. Black Honor - Bank Street College of Education
Chicago Public Library Best Books for Children and Teens
Nick Jr. Family Magazine - "Best of 2003" Awards - "Most Inspiring Book"
Borders Original Voices Selection
Best Book of the Year - Valerie Lewis "Children's Book
Book Sense 76 selection
Babyzone Amazing Book Awards 2003
Book Links Editor's Best of 2003
Chapman Awards for Best Classroom Read-Alouds
1er Prix lab-elle adulte

Com os Holandeses - J. Rentes de Carvalho - Livros Quetzal

sinopse:
É um autor português.
Todos os seus livros são um sucesso na Holanda. Por que não em Portugal?

excerto:
«Sobre o clima, os costumes, as manhas, a bruteza, os vícios, a má comida... A lista começou com Júlio César, alongou-se no decorrer dos séculos, tem casos extremos como o do mal- agradecido Voltaire que, em vez de dar graças pelo refúgio oferecido, sintetizou venenosamente os Países Baixos em “Canards, canaux et canailles”. Jesuíta e diplomata, António Vieira disse pior, mas diplomaticamente. De facto são muitos os críticos mordazes de um país em que outros só vêem campos de tulipas, moinhos a rodar serenamente, montes de queijo, diques, água, abundância de belas raparigas loiras e desempenadas. Assim, o optimista Ramalho Ortigão escreveu a suave aguarela que, para muitas gerações, funcionou como relato exemplar de um país exemplar. O meu caso difere.»

O Solista - Steve Lopez - Estrela Polar

sinopse:
Quando o jornalista Steve Lopez vê o sem-abrigo Nathaniel Ayers a tocar de forma tão sentida o seu violino de duas cordas no Skid Row de Los Angeles, fica estupefacto. A princípio, é atraído pela oportunidade de fazer dele o tema de mais uma das suas colunas para o Los Angeles Times. Mas o que descobre sobre o misterioso músico das ruas deixa-o fascinado.

Trinta anos antes, Ayers tinha sido um promissor aluno de contrabaixo da Juilliard - um aluno ambicioso, encantador e um dos poucos afro-americanos - até que, gradualmente, foi vencido por um esgotamento mental. Quando Lopez o encontra, Ayers está sozinho, profundamente perturbado e desconfia de toda a gente, mas ainda é possível vislumbrar nele resquícios desse brilho.

Os dois homens aprendem a comunicar através da música. A sua amizade vai passar por momentos dolorosos, pois Lopez imagina-se capaz de convencer Ayers a abandonar as ruas de Los Angeles. Aos momentos de triunfo segue-se sempre uma desilusão, mas nenhum dos dois desiste. E. embora a intenção inicial de Lopez seja salvar Ayers, acaba por constatar que a sua própria vida mudou profundamente.

O Solista, uma obra cativante, comovente e inspiradora, narra a história verdadeira de uma amizade, de uma devoção artística e do poder transformador da música.

Deu origem a um filme, que estreará em Portugal em Fevereiro de 2009, tendo como actores principais Robert Downey Jr. E Jamie Foxx.

O Barulho das Chaves - Philippe Claudel - Edições Asa

sinopse:

"Eu era aquele que entrava todas as semanas num mundo diferente."

Durante onze anos, Philippe Claudel deslocou-se todas as semanas a uma prisão para dar aulas de Francês. Os seus alunos: homens e mulheres condenados a penas de prisão ou em prisão preventiva. Poucos meses após o fim dessas visitas, Claudel apercebeu-se de que esse lugar ainda fazia parte da sua vida.
Nem o romance nem a narrativa são capazes de explicar o que é a fragmentação e a ruptura. Porque a prisão fragmenta a vida, corta-a em termos de espaço e tempo, restringe-a, amputa-a. Assim nasce este texto. Como um puzzle montado, passível de ser lido como uma tentativa para explicar um lugar que escondemos por detrás de portas trancadas. Um lugar que apesar de tudo nos assombra, e onde a maior parte de nós não entrará nunca.

O Trono do Altíssimo - João Aguiar - Finisterra

sinopse:

No Século IV da nossa era, a cidade de Braga foi dominada por uma heresia.
O Priscilianismo, doutrina a que foi atribuída uma filiação gnóstica, talvez de origem egípcia, conquistou a província romana da Galécia — de que Braga era a capital —, avançou pela Lusitânia, estendeu-se à Bética, atingiu a Gália.
Prisciliano, o chefe espiritual do movimento, teve de enfrentar uma viva oposição por parte da hierarquia eclesiástica e do poder temporal. No entanto, a sua doutrina sobreviveu durante cerca de duzentos anos, pois resistiu à queda do Império, às invasões bárbaras e ao estabelecimento do reino suevo.
É este o cenário de O Trono do Altíssimo, romance histórico que, após A Voz dos Deuses, impôs João Aguiar entre os nomes mais representativos da actual literatura portuguesa.

Erva-do-diabo - Teresa Moure - Difel

sinopse:
Um romance extraordinário que desvenda o perfil mais íntimo de René Descartes, através do olhar de três mulheres, de tempos e espaços distintos, que nutrem uma paixão avassaladora pelo grande filósofo e matemático do século XVII.

Erva-do-diabo é o nome de uma planta, uma erva daninha comum que partilha o poder de mitigar a dor com a literatura, e a má fama com as mulheres, porque de uma e outras se tem dito ao longo dos séculos que são venenosas e de má raça, muito inclinadas às más paixões.
Erva-do-diabo é também o título deste romance, que tenta devolver à vida privada o protagonismo que lhe corresponde, tomando como pretexto a figura de Descartes. Três mulheres são testemunhas privilegiadas das andanças do grande filósofo: a rainha Cristina da Suécia, que o hospedou no seu castelo poucos meses antes de morrer, a sua amante holandesa Hélène Jans e Inês Andrade, uma estudante actual empenhada em revelar o perfil mais íntimo de Descartes, um homem que não soube amar e viveu nesse vazio triste deixado pela paixão mal vivida.
Erva-do-diabo é feito de amor e sabedoria, de humor e ironia, um livro onde se misturam cartas de há trezentos anos com e-mails do século XXI, esconjuros para atrair amantes hesitantes e esboços de poemas, fragmentos de ensaios e histórias tão antigas e belas como lençóis de linho. O talento de Teresa Moure e a sua paixão pelas palavras consiste em amassar estes ingredientes até conseguir um magnífico romance, porque as palavras, quando são bem escolhidas, conseguem acalmar a dor como analgésicos e prolongar o prazer como afrodisíacos.

O Assassino Cego - Margaret Atwood - Livros do Brasil

sinopse:
Com este livro, Margaret Atwood, considerada a maior escritora canadiana da actualidade, viria a ganhar o maior prémio das letras de língua inglesa, o Booker Prize 2000.
É um romance amargo, entretecido de várias histórias, onde o envelhecimento, sobretudo o envelhecimento feminino, muitas vezes causador de angústia, é tema fulcral.
Laura Chase suicidou-se aos 25 anos, no dia em que terminava a Segunda Guerra Mundial, e deixou à sua irmã mais velha, Iris, cinco cadernos escolares que ambas haviam usado em crianças. Já afastada da família, Laura utilizara as páginas que estavam em branco para escrever o relato de uma aventura amorosa. Embora o parceiro dessa aventura não apareça identificado, Iris supõe que seja um amigo de adolescência, por quem as duas irmãs rivalizaram. O amante conta a Laura histórias fantásticas, que inventa para serem publicadas em revistas de cordel. Uma dessas histórias, passada no futuro, num país extraterrestre, tem precisamente por título "O Assassino Cego".
Iris pega nestes relatos e publica-os, como um romance póstumo da irmã. O êxito do livro é enorme e os leitores começam a fazer peregrinações ao túmulo de Laura, que enchem de crisântemos brancos. Iris não gosta destas homenagens e começa a vir ao de cima a inveja, a rivalidade, mesmo o ódio, já antigos (embora sempre disfarçados) que tinha para com a irmã.